O Rinoceronte
Teatro Taborda, Lisboa.
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A tentação totalitária Rinoceronte inimigo, o povo não está contigo! Muitas palavras de ordem marcam os movimentos cívicos e políticos do nosso tempo. Se uma constante prevalece, é a da revolta e da reivindicação. Neste jogo de forças, neste equilíbrio precário entre quem detém o poder e quem sofre abusos, há uma tentação comum: um traço instintivo que fundamenta o extremar de posições, uma ideia totalitária que alimenta essa guerra violenta. Mas a tentação totalitária não nasce apenas do confronto. Nasce também do hábito. Primeiro estranha-se, depois tolera-se, depois justifica-se. E quando damos por isso, já nos habituámos. O que ontem parecia monstruoso torna-se banal. O absurdo instala-se devagar, e o hábito encarrega-se de o tornar aceitável. O Rinoceronte de Eugène Ionesco não tem posição ideológica, não se assume como de esquerda ou de direita; o Rinoceronte é uma denúncia da tentação totalitária, seja ela qual for. E se isto parece profundamente humano, este desejo de debelar a ambiguidade e a contradição, se essa rejeição do paradoxal como sustentáculo de uma vida consciente, menos dada a certezas do que a incertezas, é o fulcro da tentação totalitária, então o Rinoceronte é um alerta para os abismos que se abrem na disputa por esse reino de certezas e conveniências. De facto, não nos conformamos com a incerteza, a dúvida, a complexidade; preferimos simplificar e, na maior parte das vezes, se não todas, simplificar é o caminho natural da desgraça. E são tão belos e fortes os rinocerontes e a manada tão convidativa! Como não aceitar o tempo da manada ululante, seguindo cegamente o chefe que nunca se engana e sabe sempre a verdade? Como não seguir a manada? É muito mais fácil do que pensar.
No magnífico espaço renovado do Teatro Taborda, o Teatro da Garagem apresenta uma versão divertida e delirante de Rinoceronte, de Eugène Ionesco. O bicho esplêndido mostra-se na sua exuberância e rumor. Os atores desenvolvem a trama com argúcia e rebeldia. Parece o fim do mundo, mas nem por isso. Há sempre alguém que escapa à vertigem totalitária; há sempre alguém que, por convicção ou por acaso, resiste e assume a liberdade e a dignidade como causa. Há sempre a esperança de dias melhores e mais dignos.
Ficha Técnica e Artística
ENCENAÇÃO: Carlos J. Pessoa
A PARTIR DE: Eugène Ionesco
DRAMATURGIA: Cláudia Madeira
ASSISTÊNCIA DE ENCENAÇÃO: Luís Puto
SONOPLASTIA E OPERAÇÃO DE SOM: André Carinha
DESENHO E OPERAÇÃO DE LUZ E VÍDEO: Carlos Vinícius
INTERPRETAÇÃO: Dai Ida, Pedro Lacerda, Rita Loureiro, Rui Maria Pêgo
COSTUREIRA: Ana Mateus
REGISTO DE FOTOGRAFIA E VÍDEO: Carlos Porfírio | Puro Conceito
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Raquel Matos
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Luís Puto e Rita Soares
COMUNICAÇÃO: this is ground control
CICLO RINOCERITE: Cláudia Madeira (NOVA FCSH), João Constâncio (IFILNOVA FCSH) e Alexandre P. Calado (ESTC)
APOIO: Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa Cultura, Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, NOVA FCSH
FINANCIAMENTO: Direção-Geral das Artes, Governo de Portugal | Ministério da Cultura
Neste evento podem ser captadas fotografias e/ou imagens de vídeo para fins de divulgação e promoção do Teatro e do espetáculo (site, redes sociais e materiais institucionais). Se não pretende ser fotografado/filmado, por favor informe a bilheteira antes do início do espetáculo.
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218 854 190 | 924 213 570
producao@teatrodagaragem.com